domingo, 24 de fevereiro de 2013

Santificação – A Bacia de Bronze



“ADONAI disse a Mosheh [Moisés]: ‘Faça uma bacia de bronze, com a base de bronze, para lavagem. Coloque-a entre a tenda do encontro e o altar, e ponha água nela. Aharon [Arão] e seus filhos lavarão as mãos e pés ali, quando entrarem na tenda do encontro – eles devem lavar-se com água para não morrerem. Também, quando se aproximarem do altar para ministrar pelo fogo uma oferta a ADONAI, eles devem lavar as mãos e pés, para não morrerem. Esta deve ser uma lei perpétua para eles em todas as gerações’.”
(Sh’mot [Êxodo] 30.17 – 21 BJC [Bíblia Judaica Completa])

“Fez a bacia de bronze e a base de bronze com os espelhos das mulheres que serviam à entrada da tenda do encontro.”
(Sh’mot 38.8 BJC)

            Nestes dois trechos lemos a respeito da Bacia de Bronze, um dos objetos que estavam no Tabernáculo construído pelo povo de Deus no deserto, após a libertação do cativeiro egípcio. No primeiro deles lemos a ordem do Senhor a Mosheh [Moisés] a respeito da construção da mesma e no segundo lemos a construção propriamente dita. Assim como o próprio tabernáculo e todos os outros utensílios, a bacia de bronze era uma cópia, ou sombra, de uma bacia existente nos céus (Hb 8.4 – 6). Isto não quer dizer que teremos necessariamente nos céus um tabernáculo com uma bacia de bronze e todos os demais utensílios, mas que a construção desta bacia de bronze tipificava uma verdade celestial que nosso Deus desejava implementar em meio ao seu povo e a todos nós.
            A bacia de bronze era um lugar de purificação, onde os sacerdotes se lavavam antes de entrarem na tenda e chegarem diante de Deus. A ordem do Senhor foi bem clara que eles deviam se lavar antes de entrar na tenda do encontro e quando se aproximarem do altar de holocausto para ministrar uma oferta ao Senhor.
            A Tenda do Encontro representa o encontro do homem com seu Deus, e o altar de holocausto nossa consagração ao Senhor. Deste modo para que possamos entrar na presença de Deus, precisamos nos purificar de todo o pecado e antes de apresentar qualquer tipo de oferta ao Senhor, precisamos olhar para nós mesmos e com humildade orarmos: “Examina-me, Deus, e conhece meu coração; testa-me, e conhece meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho danoso e guia-me pelo caminho eterno.” (Tehillim [Salmos] 139.23 e 24 BJC). Yeshua [Jesus] nos ensinou que “se você apresentar uma oferta no altar do templo e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta junto ao altar e faça as pazes com seu irmão. Então, volte e apresente sua oferta.” (Mattityahu [Mateus] 5.23 e 24 BJC). Se precisamos nos portar assim em relação ao nosso irmão, quanto mais em relação ao Criador de todas as coisas.
            Sh’mot [Êxodo] 29 nos ensina que quando os sacerdotes eram consagrados se banhavam com água. Depois disto quando iam ministrar ao Senhor lavavam suas mãos e pés. Isto nos leva a um raciocínio bastante interessante: cada um de nós que aceitamos o sacrifício de Yeshua em nosso lugar já foi declarado por ele como santo. Sha’ul [Paulo] escrevendo aos Coríntios diz que: “A comunidade messiânica de Deus [...] que consiste nos que foram separados por Yeshua, o Messias” (1 Coríntios 1.2 BJC), ou seja, cada um de nós já fomos feitos santos por Yeshua. Não importa o que as pessoas dizem a seu respeito, se você já entregou sua vida a Yeshua, você é santo.
            Mas o mesmo Sha’ul desenvolve este raciocínio dizendo: “Desse modo, considero uma regra, um tipo de “Torah” perversa, que, apesar de eu desejar fazer o que é bom, o mal está bem ali comigo! Porque, no eu interior, concordo totalmente com a Torah [Pentateuco, ensino, Lei] de Deus, mas nos meus membros, vejo uma “Torah” diferente, que batalha contra a Torah da minha mente, tornando-me prisioneiro da “Torah” do pecado que opera em meus membros. Que criatura miserável eu sou! Quem me salvará deste corpo sujeito à morte? Graças a Deus, ele o fará! Por intermédio de Yeshua, o Messias, nosso Senhor! Em resumo: com minha mente, sou escravo da Torah de Deus; mas em relação à minha velha natureza, sou escravo da “Torah” do pecado.” (Romanos 7.21 – 25 BJC).
            Podemos concluir através destes textos que mesmo tendo sidos santificados por Yeshua, nosso viver ainda não é totalmente santo. Assim, ao longo de nossa caminhada devemos lutar para que nosso caráter seja moldado de acordo com o padrão de Deus. É uma luta constante, que consome muita energia, mas uma batalha que deve pertencer ao nosso dia a dia, como mais uma vez Sha’ul diz: “Portanto, queridos amigos, por termos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que pode contaminar o corpo ou o espírito e esforcemo-nos para nos tornarmos completamente santos, por reverência a Deus.” (2 Coríntios 7,1 BJC). Esta busca pela santificação pode ser ilustrada com o aproximar-se da bacia de bronze, o local de purificação, de santificação.
            É interessante observamos que esta bacia é feita de puro bronze. O bronze na Bíblia lembra a purificação, símbolo da justiça, pedindo o julgamento do pecado ou o julgamento da impureza. Como nossa purificação foi feita por Yeshua, a Bacia de Bronze representa o próprio Yeshua, e a santificação é o processo que o Messias opera em nós quando nos chegamos até Ele.
            Nesta Bacia deveriam ser lavadas as mãos e os pés. Nossos pés representam nosso caminhar, onde temos andado. Lavar nossos pés representa a purificação de nossos caminhos, nos ensina que Yeshua deseja moldar nosso caminhar. Precisamos aprender a andar como Ele andou.
            Nossas mãos representa aquilo que fazemos, nosso serviço. Lavar nossas mãos representa a purificação de nossas ações, nos ensina que Yeshua deseja moldar o nosso agir. Precisamos aprender a agir como Ele agiria em nosso lugar.
            Outro ponto importante a observarmos é que a bacia de bronze foi feita com os espelhos das mulheres que serviam à entrada a tenda do encontro. O bronze era polido e passava a refletir como um espelho. Isto me lembra das palavras de Ya’akov [Tiago]: “Quem ouve a Palavra, mas não faz o que ela diz, é como uma pessoa que olha sua face em um espelho, observa-se nele, vai embora e imediatamente esquece da sua aparência.” (Ya’akov [Tiago] 1.23 e 24 BJC). A Bacia representa Yeshua, que é a própria Palavra de Deus. Quando lemos ou ouvimos a Palavra de Deus precisamos enxergar nossas vidas refletidas através dela. Quando nos olhamos em um espelho, uma das primeiras coisas que observamos é aquilo que está errado em nossa aparência. O mesmo devo ocorrer quando lemos a Bíblia, precisamos observar o que está errado em nosso agir. E isto não é para nos humilhar, mas para nos corrigir.
            Ultimo ponto interessante é que dentro da Bacia de Bronze existia água para fazer a purificação. Sabemos que “o Messias amou a comunidade messiânica e, de fato, entregou-se a favor dela, a fim de separá-la para Deus, como que purificando-a mediante a imersão na mikveh [banheira ou piscina com um influxo de água, usado no judaísmo ortodoxo até o dia de hoje para rituais de purificação]” (Efésios 5.25 e 26 BJC). A água como agente purificador representa a Palavra de Deus. O próprio Deus nos santifica através de Sua Palavra.
            Através da Bíblia, Deus não apenas aponta nossos erros, mas quando nos arrependemos deles e nos esforçamos para sermos diferentes, nosso Pai celestial usa da Bíblia para nos purificar. Ele age em nós, nos moldando de acordo com a Sua vontade (Jr 18.1 – 6).

“Considerem que a palavra de Deus é viva! Ela está atuante e é mais afiada que qualquer espada de dois gumes – corta até o ponto de junção da alma com o espírito, juntas e medulas, e julga as reflexões internas e intensões do coração.”
(Judeus messiânicos [Hebreus] 4.12 BJC)

            Através de Sua Palavra, quando nós nos entregamos totalmente diante do Senhor, Ele nos revela quais são nossas reais intensões. Ele nos limpa do pecado, mesmo quando este ainda está em nossa mente. E tudo isto através de Yeshua, a Palavra de Deus, a Água (Jo 7.37), a Bacia de Bronze. Tudo o que nós precisamos fazer é aproximarmo-nos dele com o coração sincero e arrependido, e verdadeiramente nos banharmos nesta água.

Um comentário:

Anônimo disse...

QUE BENÇÃO MEU IRMÃO ,ESSE ESTUDO ME ACRESCENTOU MUITAS COISAS.OBRIGADO.